Enquanto em Goiânia a Limpa Gyn é alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal poucos meses após iniciar a operação, em Anápolis a Quebec Ambiental — empresa ligada ao mesmo grupo — atua desde 2020 sem sofrer qualquer ação de cobrança ou punição, seja por parte da Prefeitura, seja da Câmara de Vereadores.
A Limpa Gyn começou a operar na capital em 2024, ainda na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (Republicanos), e já é investigada por supostas falhas na execução do contrato e sobreposição de funções com outros órgãos municipais. Em contrapartida, a Quebec Ambiental assumiu o serviço de limpeza urbana de Anápolis no primeiro ano de mandato do prefeito Roberto Naves (Republicanos) e mantém o contrato sem registro de investigações formais, apesar das críticas recorrentes de moradores.
No bairro Idelfonso Limírio, a moradora Railane Gabriel afirma que o cronograma de coleta não é cumprido.
“Há semana que é regular, na outra ela não passa na quinta, depois falha na terça, e vira uma bagunça. Não dá para a gente se programar”, relatou.
Situações semelhantes são registradas em outros bairros, envolvendo acúmulo de lixo e varrição irregular. Apesar disso, a Câmara Municipal nunca abriu uma apuração específica sobre a execução do contrato.
Mesmo com o histórico de reclamações, o vínculo da Quebec Ambiental foi prorrogado até 29 de maio de 2026, conforme publicação no Diário Oficial do Município. O valor total ultrapassa R$ 83 milhões, sendo R$ 72,8 milhões destinados à coleta e R$ 10,2 milhões para a operação do aterro sanitário. Isso equivale a cerca de R$ 227 mil por dia, ou R$ 1 milhão a cada cinco dias.
Em Goiânia, a CEI foi aprovada com apoio até de parte da base do governo. Em Anápolis, quatro anos após o início da operação da Quebec Ambiental, a pressão política e popular ainda não se traduziu em medidas concretas de fiscalização.