A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da bebê de três meses ocorrida em Anápolis e indiciou os pais da criança. O pai, de 31 anos, foi indiciado por homicídio qualificado e maus-tratos, enquanto a mãe, de 27 anos, responderá por maus-tratos.
Segundo a delegada Aline Lopes, responsável pela investigação, a versão apresentada inicialmente pelo casal — de que a criança teria se engasgado — não se sustentou diante dos laudos médicos, que apontaram lesões graves.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público no último dia 20, onde aguarda manifestação. O pai segue preso preventivamente, enquanto a mãe responderá em liberdade.
As investigações revelaram que a família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar após denúncias de vizinhos sobre gritos, agressões e condições precárias de higiene.
Em junho, os filhos do casal haviam sido entregues à avó materna, mas a bebê foi retirada pelos pais semanas antes da morte sem comunicação ao órgão de proteção. Durante diligências, a polícia confirmou que as crianças viviam em ambiente insalubre.
No dia 11 de agosto, a bebê foi levada pelo pai à UPA Pediátrica de Anápolis, sob a alegação de que teria se engasgado com leite. A equipe médica, porém, constatou lesões incompatíveis com essa versão, incluindo um traumatismo cranioencefálico grave.
A criança foi transferida para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, mas não resistiu e faleceu no dia 14 de agosto.
O caso gerou forte comoção e indignação na população anapolina, não apenas pela brutalidade das lesões, mas também pela tentativa inicial de encobrir o crime com uma falsa versão de engasgo.