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Anápolis Pediram Propina

Investigação revela bastidores de suposta tentativa de golpe com uso do nome do prefeito de Anápolis

Operação “Poder de Fachada” apura tentativa de tráfico de influência envolvendo falsos intermediários que teriam cobrado R$ 7 milhões para liberar funcionamento do Porto Seco da Aurora EADI

04/09/2025 às 13h55
Por: Victor Santos
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Prefeito Márcio Corrêa afirma ter sido usado como isca em tentativa de golpe e procurou a Polícia para denunciar o caso (Foto: Paulo de Tarso)
Prefeito Márcio Corrêa afirma ter sido usado como isca em tentativa de golpe e procurou a Polícia para denunciar o caso (Foto: Paulo de Tarso)

Apurações do repórter Jonathan Cavalcante, da Rádio São Francisco FM, revelaram os bastidores de uma investigação que apura suposto tráfico de influência em Anápolis, envolvendo a cobrança de R$ 7 milhões para liberação do alvará de funcionamento da empresa Aurora EADI. A denúncia resultou na deflagração da Operação “Poder de Fachada”, conduzida pelo Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) da Polícia Civil, nesta quarta-feira (3).

Segundo o levantamento exclusivo feito pelo jornalista, os envolvidos teriam usado o nome do prefeito Márcio Corrêa (PL) para tentar conferir credibilidade ao suposto esquema. O próprio prefeito, no entanto, procurou a Polícia Civil para denunciar o uso indevido de seu nome.

 

Como começou a denúncia

O caso começou a ganhar contornos mais claros em fevereiro, quando o advogado da Aurora, Carlos Henrich Martins, relatou em entrevista ao Painel DM ter sido procurado por pessoas que se diziam ligadas ao poder público local e que exigiram pagamento milionário para liberar o alvará.

"Sem o pagamento, disseram que o alvará não sairia. A empresa não aceita esse tipo de situação", afirmou o advogado, que entregou gravações, mensagens e vídeos à Polícia como provas.

As fontes ouvidas por Jonathan Cavalcante indicam que os suspeitos não mantinham vínculo com a Prefeitura, e apenas simulavam ter acesso ao alto escalão municipal. “Eles estavam vendendo um sonho”, disse uma fonte próxima à investigação, destacando que a prática se enquadra como tráfico de influência, mesmo sem relação direta com agentes públicos.

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Entre os alvos estão dois homens com passagens por outras investigações de estelionato. Eles teriam abordado a empresa oferecendo facilitação da liberação do alvará em troca de valores inicialmente fixados em R$ 7 milhões, mas que depois variaram, chegando a R$ 400 mil. Segundo as apurações, em determinado momento, a dupla chegou a sugerir que poderia fabricar um áudio do prefeito pedindo propina.

 

O papel do prefeito na denúncia

Conforme apurado por Jonathan Cavalcante, o prefeito Márcio Corrêa procurou pessoalmente a Polícia Civil para relatar a tentativa de golpe. O caso, inicialmente registrado no 3º Distrito Policial, foi transferido para uma unidade com estrutura para investigações mais aprofundadas.

Até agora, não há evidências que vinculem o prefeito à cobrança, reforçando a tese de que ele tenha sido usado como isca para enganar a empresa.

 

Operação e material apreendido

Na manhã de quarta-feira (3), agentes do GEIC cumpriram dois mandados de busca e apreensão em endereços de Anápolis ligados aos suspeitos. Foram recolhidos documentos, aparelhos celulares e outros materiais que já estão sob análise da perícia.

A investigação tem como foco rastrear as conexões dos suspeitos e a extensão do suposto esquema.

 

Hipóteses consideradas

Fontes ligadas à apuração apontaram ao jornalista três linhas investigativas:

  1. Que se trata de um caso de fraude e estelionato, praticado por golpistas;

  2. Que a empresa usou a denúncia como forma de pressão política;

  3. Que houve uma combinação de fatores, com oportunismo de ambas as partes.

 

Posição oficial da Aurora EADI

Em nota enviada à Rádio São Francisco FM, a Aurora EADI reiterou que foi a própria empresa quem procurou a Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás para formalizar a denúncia. Afirmou ainda não ter tido acesso ao conteúdo do inquérito e rejeitou qualquer acusação de tentativa de manipulação política.

A empresa também afirmou que a demora na concessão do alvará criou terreno fértil para golpistas, e ressaltou sua intenção de atuar legalmente e gerar empregos, com previsão de movimentar R$ 1,5 bilhão por mês na economia local.

 

Investigação continua

A Operação Poder de Fachada segue em andamento com a análise do material apreendido e o aprofundamento das diligências. A Polícia Civil de Anápolis trabalha agora para identificar todos os envolvidos e confirmar o real alcance da tentativa de fraude.

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