
Apurações do repórter Jonathan Cavalcante, da Rádio São Francisco FM, revelaram os bastidores de uma investigação que apura suposto tráfico de influência em Anápolis, envolvendo a cobrança de R$ 7 milhões para liberação do alvará de funcionamento da empresa Aurora EADI. A denúncia resultou na deflagração da Operação “Poder de Fachada”, conduzida pelo Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) da Polícia Civil, nesta quarta-feira (3).
Segundo o levantamento exclusivo feito pelo jornalista, os envolvidos teriam usado o nome do prefeito Márcio Corrêa (PL) para tentar conferir credibilidade ao suposto esquema. O próprio prefeito, no entanto, procurou a Polícia Civil para denunciar o uso indevido de seu nome.
O caso começou a ganhar contornos mais claros em fevereiro, quando o advogado da Aurora, Carlos Henrich Martins, relatou em entrevista ao Painel DM ter sido procurado por pessoas que se diziam ligadas ao poder público local e que exigiram pagamento milionário para liberar o alvará.
"Sem o pagamento, disseram que o alvará não sairia. A empresa não aceita esse tipo de situação", afirmou o advogado, que entregou gravações, mensagens e vídeos à Polícia como provas.
As fontes ouvidas por Jonathan Cavalcante indicam que os suspeitos não mantinham vínculo com a Prefeitura, e apenas simulavam ter acesso ao alto escalão municipal. “Eles estavam vendendo um sonho”, disse uma fonte próxima à investigação, destacando que a prática se enquadra como tráfico de influência, mesmo sem relação direta com agentes públicos.
Entre os alvos estão dois homens com passagens por outras investigações de estelionato. Eles teriam abordado a empresa oferecendo facilitação da liberação do alvará em troca de valores inicialmente fixados em R$ 7 milhões, mas que depois variaram, chegando a R$ 400 mil. Segundo as apurações, em determinado momento, a dupla chegou a sugerir que poderia fabricar um áudio do prefeito pedindo propina.
Conforme apurado por Jonathan Cavalcante, o prefeito Márcio Corrêa procurou pessoalmente a Polícia Civil para relatar a tentativa de golpe. O caso, inicialmente registrado no 3º Distrito Policial, foi transferido para uma unidade com estrutura para investigações mais aprofundadas.
Até agora, não há evidências que vinculem o prefeito à cobrança, reforçando a tese de que ele tenha sido usado como isca para enganar a empresa.
Na manhã de quarta-feira (3), agentes do GEIC cumpriram dois mandados de busca e apreensão em endereços de Anápolis ligados aos suspeitos. Foram recolhidos documentos, aparelhos celulares e outros materiais que já estão sob análise da perícia.
A investigação tem como foco rastrear as conexões dos suspeitos e a extensão do suposto esquema.
Fontes ligadas à apuração apontaram ao jornalista três linhas investigativas:
Que se trata de um caso de fraude e estelionato, praticado por golpistas;
Que a empresa usou a denúncia como forma de pressão política;
Que houve uma combinação de fatores, com oportunismo de ambas as partes.
Em nota enviada à Rádio São Francisco FM, a Aurora EADI reiterou que foi a própria empresa quem procurou a Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás para formalizar a denúncia. Afirmou ainda não ter tido acesso ao conteúdo do inquérito e rejeitou qualquer acusação de tentativa de manipulação política.
A empresa também afirmou que a demora na concessão do alvará criou terreno fértil para golpistas, e ressaltou sua intenção de atuar legalmente e gerar empregos, com previsão de movimentar R$ 1,5 bilhão por mês na economia local.
A Operação Poder de Fachada segue em andamento com a análise do material apreendido e o aprofundamento das diligências. A Polícia Civil de Anápolis trabalha agora para identificar todos os envolvidos e confirmar o real alcance da tentativa de fraude.
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