Quinze dias após a morte do anapolino Igor Rafael, de 32 anos, a Justiça da Bolívia finalmente liberou a documentação necessária para que o corpo seja trazido de volta ao Brasil. Ele foi morto de forma violenta por seguranças privados de uma escola, na cidade de Santa Cruz de La Sierra no final de agosto, e desde então, o caso tem sido marcado por erros, descaso e indignação da família da vítima.
A mãe de Igor, Dona Neidimar, está na Bolívia desde que a família soube do acontecido, enfrentando burocracias e dificuldades para garantir uma despedida digna ao filho, a família teve que provar que Igor não era um indigente — como constava inicialmente no processo boliviano.
“Para conseguir o atestado de óbito e o translado, foi preciso comprovar que ele era meu filho”, afirmou a mãe. Ela contou que precisou recorrer ao consulado brasileiro para produzir um documento de reconhecimento de maternidade, etapa essencial para viabilizar o retorno do corpo ao Brasil.
Desde o início, o caso levantou suspeitas sobre a condução das autoridades bolivianas. A condenação dos seguranças apontados como responsáveis pelo crime aconteceu em menos de 48 horas e resultou em penas leves, que não levaram nenhum dos envolvidos à prisão.
Além disso, a autópsia após o crime conteve erros graves, como a descrição de órgãos femininos em um corpo masculino. No laudo consta que Igor apresentava “útero com tamanho e consistência normais e presença de menstruação” — evidência que, segundo os advogados da família, revela a negligência técnica e o descaso das autoridades bolivianas.
Mesmo com a atuação de uma equipe de advogados experientes no país, a família relata dificuldades extremas de acesso ao processo e à documentação.
Agora, com os documentos finalmente liberados, a expectativa é que o corpo de Igor Rafael chegue a Goiás no fim de semana. De acordo com a família, Igor será sepultado em Uruíta, distrito do município de Uruana, cidade natal da mãe e onde reside a avó. A família segue contando com ajuda financeira de amigos, apoiadores e da comunidade brasileira na Bolívia para se manter no país e concluir os trâmites. (LINK DA VAKINHA)
O caso gerou forte comoção, Igor Rafael era estudante de medicina há 9 anos no país, e segundo a família, enfrentava problemas psicológicos.