Uma árvore da espécie monguba caiu na manhã desta sexta-feira (12) na Praça Vespasiano Batista, localizada na Rua Everton Batista, no Bairro Batista, em Anápolis (GO). O incidente, que não deixou feridos nem causou danos materiais aparentes, expôs um problema cada vez mais presente em áreas urbanas: a ação silenciosa do besouro metálico (Euchroma gigantea), praga associada ao enfraquecimento de árvores de grande porte.
A árvore aparentava estar saudável, mas apresentou danos profundos nas raízes, evidenciando uma fragilidade estrutural interna que não era visível externamente. A situação trouxe à tona o risco iminente de outras árvores na mesma praça: uma delas, também do tipo monguba, foi identificada com tronco apodrecido pelo repórter Victor Santos, o que indica a possibilidade de nova queda.
Até o fim da manhã, equipes da Secretaria Municipal de Obras e Meio Ambiente realizaram a retirada completa da árvore caída, conforme informou a Subsecretaria de Meio Ambiente.
O novo episódio remete ao ocorrido em 2024, quando uma monguba caiu na Avenida Goiás, destruindo um carro. Na ocasião, a Prefeitura de Anápolis atribuiu o acidente à infestação pelo besouro metálico, que compromete a estrutura das árvores a partir das raízes.
Esse inseto, apesar do nome que remete a um super-herói, representa uma ameaça real e crescente nas áreas urbanas. As fêmeas depositam ovos nas raízes das árvores, e as larvas escavam a madeira internamente, formando galerias que enfraquecem o caule e favorecem a ação de fungos e bactérias.
Um dos maiores desafios na prevenção de quedas está no fato de que os danos causados pelo besouro metálico são invisíveis a olho nu. Os sinais externos, como folhas amareladas ou ressecadas, costumam surgir apenas quando a árvore já está em estágio avançado de deterioração.
Outro fator complicador é a ausência de predadores naturais conhecidos, o que torna o controle do inseto ainda mais difícil.
Após o incidente de 2024, a Secretaria Municipal de Obras, Meio Ambiente e Serviços Urbanos anunciou ações de identificação e remoção de árvores em risco, com foco especial nas mongubas. O plano previa também a substituição de espécies exóticas por nativas do cerrado.
Contudo, a nova queda na Praça Vespasiano Batista indica que o planejamento não foi plenamente eficaz. O caso reforça a necessidade de um programa contínuo, técnico e aprofundado de inspeção e manejo de árvores urbanas, especialmente aquelas de grande porte e alto risco.