A morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, chamou atenção para os riscos do turismo de aventura em um dos destinos mais procurados do país. Juliana caiu da borda da cratera de um vulcão ativo na madrugada do último sábado (21), sendo localizada apenas quatro dias depois, já sem vida. O local onde estava — a cerca de 500 metros abaixo da borda — e as falhas nos protocolos de resgate agravaram o desfecho da ocorrência.
Juliana participava de uma trilha guiada no Monte Rinjani quando sofreu o acidente. A demora para o início das buscas se deu pelo difícil acesso e pela necessidade de um colega de grupo caminhar por horas até conseguir ajuda. Nos dias seguintes, drones com sensores térmicos tentaram localizar a brasileira, que só foi encontrada na segunda-feira (23), ainda com sinais de vida. No entanto, devido à profundidade e ao terreno acidentado, a equipe de resgate só conseguiu chegar até ela na terça-feira (24), quando seu óbito foi confirmado.
Com 3.726 metros de altitude, o Monte Rinjani é o segundo maior vulcão ativo da Indonésia e conhecido pelas trilhas íngremes, terreno instável e mudanças climáticas bruscas. Apesar disso, atrai turistas do mundo inteiro. Desde 2020, pelo menos oito pessoas perderam a vida em trilhas na região.
As autoridades locais e equipes de resgate apontam a falta de infraestrutura básica e protocolos claros como um dos principais problemas. O parque não possui um Procedimento Operacional Padrão (POP) para acidentes em áreas remotas e carece de regras sobre o uso obrigatório de equipamentos de emergência, o que compromete a segurança de visitantes.
Após o caso de Juliana, a expectativa é que o governo indonésio implemente medidas urgentes, incluindo revisão das normas, controle do acesso a trilhas perigosas e investimentos em resgate e sinalização.
A tragédia evidencia o desequilíbrio entre a promoção turística do local e a ausência de medidas de proteção compatíveis com o nível de risco das atividades oferecidas.