Saúde “Mosquitos do Bem”
Estratégia incomum promete mudar o combate à dengue em Goiás
Método que utiliza mosquitos tratados com bactéria natural chega ao Entorno do DF com promessa de resultados já na próxima temporada
15/07/2025 14h06
Por: Victor Santos
Técnica inovadora transforma o Aedes aegypti em aliado contra a transmissão de arboviroses (Foto: Reprodução)

Uma estratégia curiosa de combate a dengue começa a ser aplicada em Valparaíso e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. As duas cidades vão liberar mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia, como parte de uma medida científica para reduzir os casos de dengue, zika e chikungunya. A ação ocorre em meio a um cenário preocupante: em 2025, o estado de Goiás já ultrapassou 72 mil casos confirmados de dengue, com 53 óbitos registrados.

O projeto integra o chamado Método Wolbachia, que tem apresentado resultados positivos em outras cidades brasileiras. A técnica, desenvolvida com base em evidências científicas e aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), consiste em tornar o mosquito transmissor inofensivo, ao impedir sua capacidade de infectar seres humanos com os vírus das arboviroses.

O que é a Wolbachia e como ela atua

A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em grande parte dos insetos ao redor do mundo. Quando introduzida no Aedes aegypti, ela age bloqueando a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Os mosquitos que carregam essa bactéria são popularmente chamados de “Wolbitos”.

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Esses mosquitos são liberados aos poucos no ambiente e se reproduzem com os Aedes aegypti nativos. A bactéria é então passada para as próximas gerações, até que uma grande parte da população de mosquitos locais se torne incapaz de transmitir doenças.

Como é feita a liberação dos insetos

Liberação gradual dos chamados “Wolbitos” busca conter avanço da dengue, zika e chikungunya (Foto: Wolbito)

 

As solturas acontecem de forma planejada, com equipes circulando a pé ou em veículos, usando tubos que contêm os mosquitos adultos. A soltura gradual facilita a adaptação dos Wolbitos ao ambiente e acelera a disseminação da bactéria entre os mosquitos da região.

Essa abordagem já mostrou sua eficácia em cidades como Niterói, no Rio de Janeiro, onde os casos de dengue chegaram a cair 70% após a implementação do método.

População deve manter cuidados preventivos

Apesar da inovação, especialistas alertam que a medida não substitui as ações tradicionais de prevenção. Como os mosquitos com Wolbachia são visualmente iguais aos transmissores comuns, o combate aos criadouros continua sendo uma etapa essencial no enfrentamento das doenças.

A expectativa é que, com a introdução dos Wolbitos, os resultados comecem a ser percebidos já no próximo período de maior incidência, principalmente durante o verão, quando aumentam os casos de arboviroses.