Uma estratégia curiosa de combate a dengue começa a ser aplicada em Valparaíso e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. As duas cidades vão liberar mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia, como parte de uma medida científica para reduzir os casos de dengue, zika e chikungunya. A ação ocorre em meio a um cenário preocupante: em 2025, o estado de Goiás já ultrapassou 72 mil casos confirmados de dengue, com 53 óbitos registrados.
O projeto integra o chamado Método Wolbachia, que tem apresentado resultados positivos em outras cidades brasileiras. A técnica, desenvolvida com base em evidências científicas e aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), consiste em tornar o mosquito transmissor inofensivo, ao impedir sua capacidade de infectar seres humanos com os vírus das arboviroses.
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em grande parte dos insetos ao redor do mundo. Quando introduzida no Aedes aegypti, ela age bloqueando a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Os mosquitos que carregam essa bactéria são popularmente chamados de “Wolbitos”.
Esses mosquitos são liberados aos poucos no ambiente e se reproduzem com os Aedes aegypti nativos. A bactéria é então passada para as próximas gerações, até que uma grande parte da população de mosquitos locais se torne incapaz de transmitir doenças.
As solturas acontecem de forma planejada, com equipes circulando a pé ou em veículos, usando tubos que contêm os mosquitos adultos. A soltura gradual facilita a adaptação dos Wolbitos ao ambiente e acelera a disseminação da bactéria entre os mosquitos da região.
Essa abordagem já mostrou sua eficácia em cidades como Niterói, no Rio de Janeiro, onde os casos de dengue chegaram a cair 70% após a implementação do método.
Apesar da inovação, especialistas alertam que a medida não substitui as ações tradicionais de prevenção. Como os mosquitos com Wolbachia são visualmente iguais aos transmissores comuns, o combate aos criadouros continua sendo uma etapa essencial no enfrentamento das doenças.
A expectativa é que, com a introdução dos Wolbitos, os resultados comecem a ser percebidos já no próximo período de maior incidência, principalmente durante o verão, quando aumentam os casos de arboviroses.
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