
O assunto que domina as manchetes dos principais noticiários do mundo é a “guerra de tarifas” provocada pela política protecionista de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Uma promessa feita pelo republicano foi “defender o agro, a indústria e os empresários americanos”, e isso ele tem cumprido: criação de tarifas de importação de 10% para todos os países que negociam com os EUA e de 15% para aqueles considerados por ele “mais perversos”. Além disso, há uma sobretaxa de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio do Brasil.
O governo norte-americano elaborou ainda uma lista de 185 países que receberão aumento de taxas de importação. O objetivo de Trump ao taxar produtos de outros países é priorizar e incentivar a indústria local. Embora o presidente seja um símbolo da direita, suas ações têm marcado a aplicação de políticas associadas à esquerda, como o protecionismo e a forte influência na economia. Essas medidas já levaram diversos grandes apoiadores a criticá-lo e até a deixarem de apoiá-lo.
Especialistas em economia e geopolítica ao redor do mundo têm alertado que essas ações podem gerar uma grande recessão mundial em breve. O J.P. Morgan, um dos maiores bancos dos EUA, estima uma chance de 60% de recessão global e nos Estados Unidos.
Consequências no Brasil
No Brasil, as chances de que essa situação favoreça nossa economia são significativas. Com diversos países deixando de negociar com os americanos, eles precisarão de outro grande parceiro comercial. Isso já tem ampliado as vendas de diversos insumos brasileiros, além de baratear outros produtos no mercado interno, pois nossos produtos ficaram mais caros nos EUA.
Arroz e café já sinalizam queda nos preços: para o arroz, o indicador Cepea/IRGA-RS acumulou uma expressiva baixa de 14%, encerrando março com o preço de R$ 77,30 por saca, os menores valores registrados desde outubro de 2022. Segundo uma pesquisa da Reuters, os contratos futuros do café arábica devem cair cerca de 30% até o final de 2025. Essas reduções, além de serem influenciadas pelo aumento da produção, especialmente de arroz, tiveram grande impacto das sobretaxas americanas.
Consequências políticas
O espectro de direita mundial, que via Trump como “bússola e amuleto da sorte”, agora repensa suas estratégias. No Brasil, Bolsonaro já declarou que “quem quiser ganhar em 2026, terá que adotar um discurso mais moderado”. Seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), viajou para os EUA e, de lá, pediu afastamento do cargo para residir por uma temporada no país de Trump. Com as previsões de recessão provocada pela política trumpista, a tendência é que líderes de direita tentem “descolar” suas imagens da do bilionário presidente.
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Por Genilson Mariano
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