A investigação sobre supostas fraudes no Programa GraduAção, da Prefeitura de Anápolis (GO), ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (23). Por meio da Portaria nº 016/2025, publicada no Diário Oficial do Município, a Controladoria-Geral revogou a designação da Comissão Especial que conduzia a auditoria interna do programa. A medida anula a Portaria nº 014/2025, que havia sido assinada em 7 de julho.
O documento foi assinado pela controladora-geral do município, Camila Cozac Leite, e determina que a revogação entra em vigor na data da publicação, ou seja, em 23 de julho.
O motivo da revogação não foi detalhado oficialmente. Com isso, fica suspensa a apuração administrativa interna que avaliava possíveis irregularidades na concessão das bolsas, que já vinham sendo alvo de apuração judicial e ministerial.
A investigação ganhou repercussão após denúncias envolvendo duas estudantes de Medicina da UniEvangélica. Elas são suspeitas de fraudarem informações socioeconômicas para obter bolsas integrais do Programa GraduAção, destinado a universitários de baixa renda.
Em um dos casos, postagens em redes sociais revelavam viagens internacionais e rotina de alto padrão, incompatíveis com a renda declarada de apenas três salários mínimos. A Justiça identificou que a aluna vive com familiares que possuem empresas e patrimônio considerável, contrariando os critérios do programa.
Em outro caso, outra estudante teve a manutenção da bolsa negada após a Justiça constatar renda familiar elevada e ausência de documentos bancários, reforçando a suspeita de omissão de informações.
Com as inconsistências identificadas, o juiz responsável revogou liminares que mantinham as bolsas e encaminhou os casos ao Ministério Público de Goiás. As estudantes podem ser enquadradas por litigância de má-fé, o que pode resultar em multa e devolução de valores recebidos.
A Prefeitura de Anápolis informou anteriormente que suspendeu o Programa GraduAção no início de 2025 após detectar indícios de irregularidades. O prefeito classificou a política como uma “herança irresponsável” da gestão anterior e defendeu a judicialização dos casos suspeitos.
Em paralelo às investigações, o Ministério Público recomendou que o município retome os pagamentos das bolsas para estudantes não investigados, de forma a evitar prejuízos acadêmicos. Antes da suspensão, o programa beneficiava mais de 100 universitários de instituições privadas da cidade.
A revogação da auditoria interna levanta questionamentos sobre a transparência e continuidade da fiscalização dos recursos públicos aplicados no programa.
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