
O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 9ª Promotoria de Justiça de Anápolis, emitiu recomendação à Secretaria Municipal de Saúde para que sejam restabelecidos, no prazo máximo de sete dias, os serviços de telefonia e internet no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) Viver e no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) Crescer.
A recomendação foi motivada por uma inspeção realizada no dia 7 de agosto pelo promotor Marcelo de Freitas, que identificou que ambas as unidades estão sem serviço de telefonia, enquanto o CAPS AD Viver também está sem acesso à internet há quase três meses. No caso do Capsi Crescer, o problema com a telefonia é ainda mais antigo.
Além de estabelecer o prazo para normalização, o MP exige que a Secretaria de Saúde comunique, por escrito e no prazo de três dias, as providências adotadas.
Para o Ministério Público, a falta de conectividade impacta diretamente a qualidade do serviço prestado, comprometendo o acesso a prontuários eletrônicos, a emissão de laudos médicos, a comunicação com pacientes e familiares, e até mesmo a admissão de novos internados.
Em entrevista ao repórter Victor Santos, o paciente José Henrique Félix de Jesus, de 58 anos, que faz tratamento no CAPS AD3 há seis meses, ilustra as consequências dessa desestruturação.
“Você vai consultar com a médica e não tem como ela puxar nada. Eu preciso de um laudo, mas não tem como jogar esse laudo na rede porque não tem internet”, afirma.
A situação se agrava porque José Henrique está afastado do trabalho e depende do laudo para concluir a perícia médica no INSS, marcada para esta sexta-feira (22).
“Estou encostado pelo INSS sem receber um centavo até hoje. Preciso do laudo digital, mas os médicos não conseguem acessar os dados”, relata.
Segundo o promotor Marcelo de Freitas, no CAPS AD Viver os profissionais não conseguem acessar prontuários, relatórios ou qualquer tipo de informação clínica digitalizada, o que levou à suspensão dos atendimentos médicos. As consultas estão sendo remarcadas para outras unidades, mas sem telefonia, os pacientes sequer são informados sobre as mudanças.
José Henrique também denuncia a paralisação parcial da capacidade de internação da unidade:
“Lá tem leito pra 10 pessoas. Tem duas só internadas. Por quê? Porque não tem como internar alguém. Como é que vai fazer uma entrada sem internet?”, questiona.
Na recomendação, o Ministério Público destaca que a situação compromete a adesão dos usuários aos seus Projetos Terapêuticos Individuais, considerados essenciais para o sucesso do tratamento em saúde mental.
“As irregularidades verificadas impedem gravemente o desenvolvimento das ações terapêuticas e colocam em risco a saúde de pessoas em grave sofrimento mental”, afirma o promotor.
José Henrique reforça o sentimento de abandono vivido por muitos pacientes:
“Sempre fui contribuinte, sempre trabalhei. Agora que eu preciso, estou passando por essa vergonha. A gente fica jogado”.
POLUIÇÃO VISUAL Jakson Charles sugere propagandas em espaços públicos para aumentar receita de Anápolis
Adriano do Baldy Deputado Adriano do Baldy recebe apoio de novo grupo em Anápolis e deve surpreender nas eleições
Raio X de Anápolis Anápolis completou 119 anos com destaque para as mulheres, evangélicos e educação
PORTA ABERTA Projeto Rota do Legislativo fortalece aproximação entre Câmara de Anápolis e população, destaca Andreia Rezende
ELEIÇÕES 2026 Pré-Candidata a Deputada Estadual cresce e figurões sentem eleição ameaçada
Troca de Geladeiras Anápolis promove sorteio de geladeiras para moradores no Residencial Copacabana



