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Anápolis Urban na mira

Crise no transporte de Anápolis se agrava e Urban pode enfrentar investigação na Câmara

Liminar suspensa e críticas da população colocam Urban na mira da Câmara de Anápolis

02/09/2025 às 14h06 Atualizada em 02/09/2025 às 14h50
Por: Victor Santos
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Proposta de CEI pode levar à maior investigação sobre transporte público da história de Anápolis (Foto: )
Proposta de CEI pode levar à maior investigação sobre transporte público da história de Anápolis (Foto: )

A crise do transporte coletivo em Anápolis atingiu um novo patamar nesta semana, com a combinação de reversão judicial, pressão política e indícios de descumprimento contratual por parte da Urban. A situação levou o vereador Wederson Lopes (União) a propor a abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) contra a empresa, que opera o sistema de transporte há mais de uma década.

A gota d'água foi a suspensão de uma liminar que respaldava a planilha de custos da Urban, reconhecendo um valor controverso de R$ 8,19 por passageiro. A decisão foi revista pela juíza substituta Iara Márcia Franzoni de Lima Costa, da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás, que derrubou o entendimento anterior do juiz Gabriel Lisboa, da Comarca de Anápolis.

Em meio ao revés jurídico, o discurso dos parlamentares se intensificou. Wederson Lopes, que também preside a Comissão de Transporte, questionou a lógica econômica por trás da permanência da Urban na concessão:

"A empresa, segundo dizem as entrevistas, tem um prejuízo de R$ 3 milhões por mês. Que empresa se mantém com um prejuízo desses?", indagou. "Nós já temos argumentos e fatos mais do que suficientes de que a empresa não cumpre o contrato. E isso já pode ser considerado uma quebra contratual, com possibilidade de cancelamento da concessão", afirmou.

Segundo Wederson, o contrato atual da Urban envolve dois lotes:

  • Lote 1: R$ 15.601.000,00

  • Lote 2: R$ 12.107.000,00

  • Valor total: R$ 27.708.000,00, com vigência de 15 anos e vencimento previsto para 2030.

No entanto, o parlamentar levantou suspeitas sobre os termos iniciais da licitação. “Na época da assinatura do contrato, o valor da tarifa era de R$ 2,50. Hoje, se não me engano, está em R$ 5,50. Isso levanta uma interrogação: será que a empresa entrou na licitação com valor baixo apenas para assumir a concessão, já planejando aumentos futuros para justificar o equilíbrio econômico?”, questionou.

A possível quebra de contrato ganha ainda mais força com a movimentação do Executivo. O prefeito Márcio Corrêa (PL) apresentou à Câmara o Projeto de Lei Ordinária nº 244/2025, que prevê autorização legislativa para concessão de subsídios ao transporte coletivo. Segundo Wederson, “é o momento de discutir isso com seriedade. A população cresce, a demanda por transporte aumenta e o serviço não acompanha essa evolução”.

"Urbano, você tem condição de melhorar o serviço? Quem sabe da maneira de transporte é o cidadão que está na ponta", destacou o vereador, ecoando a insatisfação popular.

Mesmo antes da formalização da CEI, o vereador já convocou audiência pública para o dia 5, na qual espera que a empresa apresente documentos, planilhas e propostas de soluções. A Câmara, segundo ele, não pode mais ignorar a deterioração do serviço e a possível inviabilidade econômica da operação.

A reportagem solicitou posicionamento à empresa Urban e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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