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Anápolis CEI Descartada

Câmara descarta CEI e pressiona por plano para salvar transporte coletivo de Anápolis

“Agora é agir. Ou o sistema muda, ou para. A gente não quer mais ver o transporte coletivo de Anápolis sobrevivendo”, diz vereador

05/09/2025 às 16h15 Atualizada em 05/09/2025 às 17h03
Por: Victor Santos
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Câmara de Anápolis dá prazo até 30 de setembro para empresa e ARM apresentarem plano de reestruturação do transporte coletivo (Foto: Jonathan Cavalcante/ RSF)
Câmara de Anápolis dá prazo até 30 de setembro para empresa e ARM apresentarem plano de reestruturação do transporte coletivo (Foto: Jonathan Cavalcante/ RSF)

Com um déficit mensal que pode chegar a R$ 3 milhões, o transporte coletivo de Anápolis enfrenta uma crise que ameaça a continuidade do serviço. Na audiência pública realizada na Câmara Municipal nesta sexta-feira (5), vereadores, representantes da empresa operadora e membros do Executivo discutiram alternativas para salvar o sistema. A principal proposta é a criação de um subsídio com participação da Prefeitura e do Governo de Goiás, que permita não apenas manter o serviço, mas também melhorá-lo e torná-lo mais acessível.

Segundo o advogado da empresa Urban, Carlos Leão, a situação atual é insustentável:

O sistema está na UTI. Está funcionando hoje porque a empresa vem bancando com recursos próprios, mas isso não se sustenta. Sem aporte público, não há como manter a operação, renovar a frota, investir em tecnologia ou oferecer um serviço melhor.”

Ele explicou que, além do valor da passagem, o usuário acaba arcando com gratuidades, impostos, taxas de gestão e operação aos domingos sem compensação.

Tudo está no colo do passageiro. O objetivo agora é dividir essa conta com o poder público, como já acontece em outras cidades.”

Carlos Leão apresentou projeções: com um subsídio semelhante ao que Goiânia recebe, Anápolis poderia ter uma tarifa abaixo de R$ 3. Já para chegar à tarifa zero, seria necessário um investimento de cerca de R$ 7 milhões por mês — valor que hoje está fora do alcance, mas que pode ser parcialmente viabilizado com apoio estadual.

 

Plano de reestruturação será decisivo para liberação de recursos

 

Carlos Leão, representante da operadora, afirma que sistema está na UTI e defende subsídio como única saída (Foto: Victor Santos)

 

O vereador Wederson Lopes, autor do requerimento da audiência, deixou claro que o primeiro passo é a apresentação de um plano técnico de requalificação, com prazos, metas e detalhamento de melhorias. Ele deu prazo até o dia 30 de setembro para que a Agência Reguladora Municipal (ARM) e a operadora apresentem esse projeto à Câmara.

Não aceitamos mais um diagnóstico sobre o prejuízo da empresa. Queremos saber: quantos ônibus novos serão colocados? Qual o cronograma de substituição da frota? Sem isso, não tem como discutir subsídio.”

Wederson também apontou que a responsabilidade é compartilhada:

A ARM tem que cumprir seu papel de fiscalizadora. Ela precisa validar os números apresentados, definir metas e acompanhar a execução. A empresa só cumpre se for exigida.”

A audiência também repercutiu a fala do vice-governador Daniel Vilela, que, em visita recente a Anápolis, afirmou que o Estado está aberto a apoiar o transporte coletivo da cidade, desde que seja apresentado um projeto consistente.

“O que ouvimos foi claro: tragam os ingredientes certos que o Estado entra com o apoio. Agora cabe à Prefeitura, à ARM e à empresa organizarem esse plano”, disse Carlos Leão.

 

Alternativas de financiamento também foram discutidas

Leão ainda sugeriu que plataformas de transporte por aplicativo, como Uber e 99, possam ser chamadas a contribuir com o financiamento do sistema.

Esses serviços não oferecem gratuidade e não têm encargos trabalhistas. Uma taxa de R$ 1 por corrida já poderia gerar milhões para ajudar o transporte coletivo — que cumpre papel social e legal”, explicou.

 

Compromisso: tarifa não vai subir

Wederson reforçou que a tarifa não será aumentada. A meta é justamente o oposto: diminuir o custo para o usuário, especialmente os mais vulneráveis.

“Estamos alinhados com o prefeito Márcio Corrêa e com o Governo do Estado para buscar um transporte mais barato e melhor. A população não pode continuar pagando caro por um serviço que não entrega o mínimo.”

O documento com os encaminhamentos da audiência será formalizado e enviado aos responsáveis nos próximos dias. A Câmara vai acompanhar de perto o cumprimento do prazo e a entrega do plano técnico.

Agora é agir. Ou o sistema muda, ou para. A gente não quer mais ver o transporte coletivo de Anápolis sobrevivendo. A gente quer ele funcionando bem, com respeito a quem depende dele todo dia”, concluiu Wederson Lopes.

 

CEI descartada após esclarecimentos

Antes da audiência, tramitava na Câmara uma proposta de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o contrato da empresa. No entanto, após os esclarecimentos técnicos e o compromisso assumido publicamente, Wederson Lopes anunciou que a CEI está fora dos planos.

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