
O escultor Luiz Olinto, responsável pelo mural artístico instalado na fachada do Centro Administrativo de Anápolis, cobra uma solução urgente para a deterioração precoce da obra, avaliada em mais de R$ 880 mil. Menos de um ano após a inauguração do espaço público, diversos azulejos da estrutura já estão soltos ou quebrados.
Segundo o artista, o desgaste não pode ser atribuído apenas ao tempo, sendo necessário investigar falhas estruturais ou na execução do assentamento. Em entrevista ao Portal Via Goiás, Olinto classificou o episódio como inédito em sua carreira. “É com bastante tristeza que eu vejo esse problema. Tenho 40 anos de profissão, murais no Brasil todo, no exterior. Nunca aconteceu um caso desse.” Desabafa.
O escultor afirmou que ainda aguarda uma avaliação técnica por parte da gestão municipal. “Tenho contato com a engenheira, ela ficou de fazer uma avaliação com os órgãos específicos, mas ainda não me deu retorno. Agora já resolvi, arrumei um advogado, vou lá fazer uma notificação para saber o que devemos fazer.” Ressaltou.
Possíveis causas
Entre as possíveis causas para o problema, o artista aponta uma movimentação não prevista na estrutura do prédio como a hipótese mais provável. Ele também citou a possibilidade de falha na argamassa ou erro de aplicação, mas considera essas situações menos prováveis.
Olinto explicou que a cerâmica utilizada no mural segue os padrões mais resistentes do mercado. “Já fiz milhões de metros quadrados, não dá problema. A cerâmica é queimada a quase mil graus, duas queimas, então não tem como estragar.” Afirmou o artista.
Ele criticou ainda o que considera falta de interesse da atual gestão em resolver o impasse. “O outro lado não tem interesse nenhum em resolver isso rápido”, criticou.
Restauração
Para restaurar o mural, Luiz Olinto explicou que será necessário refazer fileiras inteiras de azulejos, já que os que caíram e quebraram são irrecuperáveis. “Dependo deles para me dar uma solução, e também não adianta restaurar agora, se não tiver a solução do que gerou os estragos”, completou.
A obra de arte foi contratada durante a gestão do ex-prefeito Roberto Naves (PP), por meio de processo de inexigibilidade, ou seja, sem edital de chamamento público, com base na alegação de inviabilidade de competição. O investimento total ultrapassou R$ 886 mil.
O Via Goiás entrou em contato com a Prefeitura de Anápolis em busca de posicionamento, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

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