
O urutau, também chamado de “ave fantasma”, foi avistado recentemente em dois pontos do centro de Anápolis, na Praça Oeste e na Rua Barão do Rio Branco. O animal chamou a atenção de moradores e transeuntes pela aparência incomum, comportamento misterioso e capacidade de se camuflar com perfeição no ambiente. Não é possível confirmar se os dois registros se referem ao mesmo pássaro.
Com penas em tons de cinza e marrom, a ave se confunde com troncos de árvores, permanecendo imóvel por longos períodos. Essa camuflagem impressionante a torna praticamente invisível — um feito raro entre as aves. Além disso, o urutau é conhecido por vocalizações noturnas de tom melancólico, que alimentam diversas lendas em áreas rurais.
Segundo o biólogo Everton Tizo Pedroso, o urutau pertence à espécie Nyctibius griseus e tem ampla distribuição pela América do Sul, sendo bastante comum no Cerrado.
“É um animal que chama bastante atenção das pessoas porque tem uma aparência um pouco diferente e também por conta dos seus hábitos. O canto também é muito conhecido, é muito mencionado em folclore, no conhecimento popular”, afirma.
Uma das características mais fascinantes do urutau são seus olhos grandes e amarelos. Quando uma ameaça se aproxima, a ave fecha os olhos para não ser detectada, mas continua enxergando por duas pequenas fendas na pálpebra superior. Isso garante proteção sem comprometer a vigilância.
Ainda de acordo com Everton, o urutau é uma ave de hábitos noturnos e insetívora.
“Por isso tem os olhos grandes que chamam a atenção das pessoas. É um animal que voa e se desloca de forma bastante silenciosa, geralmente visto em áreas de fazenda e zonas rurais, e raramente nas cidades.”
Outro comportamento peculiar está na reprodução: o urutau deposita um único ovo na extremidade de um galho oco e o incuba por cerca de 30 dias. Após a eclosão, o filhote é cuidado pelo casal, que se reveza para protegê-lo e alimentá-lo.
A família Nyctibiidae é composta por cinco espécies conhecidas:
A presença da ave em área urbana reforça como a natureza ainda encontra espaço em meio à cidade — e como pequenos encontros podem revelar grandes mistérios da fauna brasileira.
Para Everton Tizo Pedroso, o avistamento do urutau na cidade pode ter relação direta com mudanças no ambiente.
“A expansão das áreas urbanas tem ampliado a nossa convivência com esses animais. Alguns respondem de forma mais tolerante às modificações. Encontrá-los na cidade pode sugerir uma adaptação progressiva a essas áreas”, observa.
Ele também destaca que a presença do urutau em regiões urbanas pode estar relacionada à busca por alimento.
“Especialmente neste período de seca, quando há menos insetos disponíveis no campo, esses animais podem se aproximar das cidades atrás de mariposas e outros insetos noturnos que compõem sua dieta.”
Ainda segundo o biólogo, esse tipo de convivência com a fauna pode ser positivo, desde que a população esteja bem informada.
“É importante divulgar conhecimento sobre esses animais para promover uma convivência mais harmônica. Além disso, como são insetívoros, os urutaus ajudam a controlar populações de insetos, o que também é benéfico para o ambiente urbano”, conclui.
Matéria atualizada em 08/07/2025 - 13h32
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