
Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias realizam um protesto na manhã desta terça-feira (8) em frente ao Centro Administrativo de Anápolis. A manifestação cobra da prefeitura o repasse integral dos recursos salariais enviados pelo governo federal, que, segundo os trabalhadores, está defasado em cerca de R$ 300 mensais desde 2023.
A reivindicação foi detalhada por Aliandro Paulo de Jesus, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (SindSaude-GO) e diretor da Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias. Ele afirma que os valores repassados pelo governo federal para os salários dos agentes não estão sendo totalmente transferidos aos profissionais pelo município.
"A defasagem média é de R$ 300 por trabalhador, o que fere o plano de carreira e a legislação vigente. Desde 2023 esse repasse vem sendo feito de forma incorreta. Já tivemos uma reunião com o prefeito, que se comprometeu a nos receber novamente até o dia 19 de junho, mas isso não aconteceu", declarou Aliandro.
O impasse, segundo ele, pode culminar na deflagração de uma greve ainda nesta terça-feira. Uma assembleia da categoria está marcada para o fim do dia, e a possibilidade de paralisação total das atividades está em pauta.
“São mais de dois anos de promessas não cumpridas. A categoria está cansada”, reforçou o dirigente.
Além da questão salarial, os agentes também relatam más condições de trabalho. Segundo Aliandro, faltam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e uniformes, o que dificulta a identificação dos profissionais nas visitas domiciliares.
"Muitas vezes a população nem recebe os agentes, por não saber quem somos. Isso compromete a efetividade do nosso trabalho", afirmou.
Atualmente, conforme a Emenda Constitucional 120, o piso salarial dos agentes de saúde e de endemias é equivalente a dois salários mínimos. Em Anápolis, esse valor é pago com complementações previstas no plano de carreira, como progressões por letras e produtividade. No entanto, o sindicato denuncia que os percentuais de progressão têm sido reduzidos arbitrariamente — chegando a 2,60% em vez dos 3% estabelecidos inicialmente.
Outro ponto levantado é que, apesar das dificuldades enfrentadas, o município continua recebendo regularmente recursos do Fundo Nacional de Saúde, que variam entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão por mês, segundo os sindicalistas.
A reportagem do Via Goiás solicitou posicionamento oficial da Prefeitura de Anápolis sobre as denúncias feitas pelos agentes e pelo sindicato, mas ainda não obteve resposta até o momento da publicação. O espaço segue aberto.
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