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COP-30 sob ameaça: 29 delegações exigem infraestrutura ou sugerem mudança de sede

Governos estrangeiros exigem tarifas acessíveis e logística segura para manter sede da COP-30 no Pará

01/08/2025 às 09h04 Atualizada em 01/08/2025 às 14h28
Por: Victor Santos
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Obras do local da COP-30 seguem em ritmo acelerado, enquanto países pedem garantias de estrutura (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Obras do local da COP-30 seguem em ritmo acelerado, enquanto países pedem garantias de estrutura (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Vinte e nove países e blocos internacionais enviaram uma carta conjunta ao governo brasileiro e à ONU cobrando garantias de infraestrutura e hospedagem para a realização da COP-30 em Belém, prevista para novembro. O documento afirma que, caso os problemas persistam, o evento poderá ser transferido para outra cidade.

A carta, revelada pela Folha de S.Paulo e obtida pelo Estadão, é dirigida ao secretário extraordinário da COP-30, Valter Correia, e ao secretário da UNFCCC, Simon Stiell, e expressa preocupação com a “ausência persistente de acomodações adequadas e acessíveis” na capital paraense.

Pressão internacional cresce às vésperas do evento

Assinam o documento 27 países, incluindo Canadá, Suécia, Noruega, Bélgica, Coreia do Sul e Holanda, além de dois blocos regionais: o Grupo de Países Menos Desenvolvidos (LDC) e o Grupo de Negociadores Africanos (AGN). Juntas, as delegações alertam que a crise de hospedagem pode afetar negociadores, observadores, empresas e povos indígenas, prejudicando a representatividade e a eficiência das discussões climáticas.

“Queremos que nossas equipes estejam na melhor condição possível para alcançar o sucesso para o planeta e as futuras gerações”, afirma a carta. Os signatários solicitam ainda que os hotéis pratiquem diárias de até US$ 164 (R$ 912), conforme o teto de subsistência adotado pela ONU.

Países pedem ação imediata e criticam falta de clareza

A carta destaca que muitos países ainda não conseguiram reservar hospedagens em Belém e que a indefinição logística afeta sobretudo nações em desenvolvimento, que não podem reduzir suas equipes sem comprometer a capacidade de negociação. Os signatários afirmam que não poderão justificar gastos elevados aos seus contribuintes, em referência a tarifas que superam os limites impostos por seus governos.

“Se a COP for inteiramente realizada em Belém, pedimos que as acomodações mais próximas ao evento sejam priorizadas para as equipes de negociação, observadores e outros que estejam no centro do processo”, diz o documento.

Resposta do governo brasileiro

Em nota, a Secretaria Extraordinária da COP informou que estão disponíveis 2.500 quartos individuais com preços entre US$ 100 e US$ 600. Segundo o governo, foram reservados 15 quartos por delegação para países menos desenvolvidos (com tarifas até US$ 200) e 10 quartos para os demais países (com tarifas de até US$ 600).

Apesar do anúncio, o descontentamento permanece. Telegramas diplomáticos trocados entre o Itamaraty e embaixadas brasileiras revelaram que Alemanha, Reino Unido, China e Noruega já vinham expressando preocupação com a capacidade de Belém em receber a conferência.

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