A Polícia Civil de Goiás (PCGO) efetuou a prisão preventiva, nesta quarta-feira (12), dos donos da clínica Karine Gouveia Estética (KGE), Karine Gouveia Silva e Paulo César Gonçalves, em Goiânia. O delegado que lidera a investigação, Daniel José de Oliveira, comentou que a decisão de prender os suspeitos foi fundamentada na investigação que revelou "uma alta probabilidade de que clientes da clínica que receberam preenchimentos faciais entre março de 2018 e março de 2019 possam ter sido submetidos à injeção de óleo de silicone", um produto proibido que pode provocar deformidades permanentes, necrose, infecções graves e diversas outras complicações de saúde, segundo o policial.
A polícia recomenda que os clientes que se submeteram a esses procedimentos durante o período mencionado busquem assistência médica para exames e verifiquem se foram injetados com a substância inadequada. Se a irregularidade for confirmada, o cliente deve contatar a 4ª Delegacia Distrital de Goiânia, que está conduzindo a investigação.
A ordem judicial, emitida pela justiça, evidenciou a gravidade dos casos de procedimentos estéticos de alto risco que teriam sido realizados de maneira imprópria na clínica, possivelmente utilizando essas substâncias, além da venda ilegal de medicamentos e produtos proibidos pela Anvisa. Além disso, "as evidências mostram que os investigados utilizaram várias táticas para dificultar as investigações e desrespeitaram decisões judiciais anteriores", acrescentou o delegado.
Os dois indivíduos que estão sendo investigados foram detidos no dia 18 de dezembro e liberados em 8 de fevereiro. A investigação foi iniciada no final de 2024, quando mais de 70 pacientes procuraram a polícia devido a lesões oriundas dos procedimentos realizados.
Relembrando o caso:
A investigação da Polícia Civil teve início em fevereiro de 2024 e desde então foram reunidas inúmeras denúncias. Entre as evidências contra os investigados está o fato de que a proprietária da clínica não possui formação na área de saúde. As duas filiais da clínica, situadas em Goiânia e Anápolis, foram fechadas pela Vigilância Sanitária.
As acusações formuladas pela polícia incluem formação de uma organização criminosa, falsificação de produtos terapêuticos, lesões corporais graves, prática ilegal da medicina, estelionato, entre outros crimes relacionados à realização de procedimentos estéticos e cirúrgicos sem a devida qualificação técnica e autorização legal.
De acordo com a PCGO, os investigados atuavam de forma organizada e hierárquica, utilizando estratégias de marketing agressivas e contando com a participação de profissionais sem as qualificações necessárias para executar os procedimentos oferecidos.
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