A Netflix anunciou nesta semana a produção de “Emergência Radioativa”, minissérie inspirada no acidente com o Césio-137 em Goiânia, ocorrido em setembro de 1987. A produção faz parte de um pacote de dez obras brasileiras que entram em fase de filmagens ainda em 2025, entre filmes, séries e documentários.
Criada por Gustavo Lipsztein, com direção de Fernando Coimbra e produção da Gullane, a série promete resgatar um dos episódios mais marcantes e esquecidos da história brasileira recente. A trama será centrada nos esforços de médicos, físicos e vítimas para conter os efeitos da contaminação radioativa e salvar vidas.
“A série resgata, por meio da ficção, um evento histórico quase esquecido no país, mas que diz muito sobre nós enquanto nação. A narrativa tem múltiplos pontos de vista e é liderada pelas vítimas, médicos e físicos, protagonistas raros na dramaturgia brasileira”, explicou Coimbra.
O desastre ocorreu quando catadores de materiais recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada no centro de Goiânia. Sem saber do risco, desmontaram o equipamento e manipularam a substância no interior: cloreto de césio-137, um composto altamente radioativo e de coloração azul brilhante.
A partir de 13 de setembro de 1987, o material começou a circular entre familiares, vizinhos e sucateiros, contaminando residências, pessoas, objetos e até alimentos. Os primeiros sintomas — náuseas, tonturas, feridas e sangramentos — foram ignorados até que a esposa de um dos envolvidos levou o material à vigilância sanitária, que identificou a radioatividade.
O alerta foi dado em 29 de setembro, quando a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foram acionadas. Um plano emergencial foi estabelecido com apoio de diversas instituições civis e militares.
Impactos
No total, 112.800 pessoas foram monitoradas, das quais 249 apresentaram contaminação significativa. Vinte pessoas ficaram gravemente doentes, quatro morreram — entre elas, Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos, que se tornou símbolo da tragédia.
A cidade enfrentou pânico, isolamento de áreas, demolições de imóveis e remoção de toneladas de lixo radioativo, hoje armazenadas em Abadia de Goiás. Estima-se que o acidente gerou 3.500 m³ de rejeitos contaminados.
Como resposta, o governo de Goiás criou a Fundação Leide das Neves para acompanhamento médico das vítimas. O episódio deixou lições duras sobre segurança, gestão de resíduos e os riscos da radiação, com impactos que ecoam até hoje.
Ainda sem data oficial de estreia, “Emergência Radioativa” deve ser lançada em 2026. A Netflix também anunciou outros nove títulos brasileiros, entre eles:
A plataforma afirma que segue apostando em narrativas brasileiras com potencial global, ampliando seu acervo e valorizando histórias reais e de impacto.
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