
Filas extensas, atrasos e congestionamentos se tornaram rotina em aeroportos, portos e fronteiras do país devido à greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que ultrapassou os seis meses nesta semana. A combinação entre operação-padrão — que exige fiscalização minuciosa de todas as cargas, bagagens e veículos — e a limitação de apenas 30% do efetivo em atividade tem comprometido seriamente o fluxo nos principais pontos de entrada e saída do Brasil.
A mobilização, que começou em 26 de novembro de 2024, já impacta fortemente a economia. Segundo levantamento do Portal Contábeis, o comércio exterior acumulou uma perda de R$ 14,6 bilhões em arrecadação até março, e a estimativa é que o prejuízo possa ultrapassar os R$ 40 bilhões caso a paralisação se estenda até o fim de 2025. Além disso, R$ 51 bilhões estão travados em processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o que também afeta diretamente a restituição do Imposto de Renda.
Em terminais como o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), passageiros enfrentaram mais de duas horas de espera para retirada de bagagens nesta terça-feira (28), após voos internacionais vindos de Portugal e Argentina. Em Florianópolis, as filas chegaram a três horas com o desembarque simultâneo de três voos internacionais.
Na Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), cada veículo tem passado por vistoria completa desde quarta-feira (21). Motoristas relataram até duas horas de espera para cruzar a fronteira Brasil–Paraguai. Em outras regiões, como Sant’Ana do Livramento (RS), Mundo Novo (MS) e Santa Helena (PR), o cenário inclui congestionamentos e pátios tomados por caminhões parados à espera de liberação.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindifisco Nacional) anunciou a intensificação da operação-padrão para a próxima semana, com “desembaraço zero” nas aduanas. A categoria afirma que o objetivo é pressionar o governo diante da falta de resposta às reivindicações.
Os auditores fiscais exigem a recomposição salarial de 28% referente às perdas acumuladas desde 2016, além da reversão de resoluções que afetaram o pagamento do bônus de eficiência. A proposta mais recente apresentada pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), em 26 de maio, foi rejeitada por 95% dos profissionais.
O governo, por sua vez, afirma que o bônus já foi regulamentado e que não há margem orçamentária para atender integralmente as exigências. Uma nova rodada de negociação deve ocorrer nos próximos dias, mas ainda sem sinal de avanço. Caso não haja acordo, a paralisação poderá se tornar a mais longa da história da Receita Federal.
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